25 de Abril de 1974
Como não houve a violência habitual das
revoluções, o povo ofereceu flores (cravos) aos militares que as puseram nos
canos das armas. Em vez de balas, que matam, havia flores por todo o lado,
significando o renascer da vida e a mudança!
Enquanto os outros países da Europa avançavam e progrediam em democracia, o regime português mantinha o nosso país atrasado e fechado a novas ideias.
Os estudantes queriam que todos pudessem
aceder igualmente ao ensino, que houvesse liberdade de expressão e que
terminasse a Guerra Colonial, que consideravam inútil.
O povo português fez este golpe de estado
porque não estava contente com o governo de Marcelo Caetano, que seguiu a
política de Salazar (o Estado Novo), que era uma ditadura. Esta forma de
governo sem liberdade durou cerca de 48 anos!
A solução acabou por vir do lado de quem
fazia a guerra: os militares. Cansados desse conflito e da falta de liberdade
criaram o Movimento das Forças Armadas (MFA), conhecido como o "Movimento
dos Capitães".
Depois de um golpe falhado a 16 de Março de
1974, o MFA decidiu avançar.
O major Otelo Saraiva de Carvalho fez o plano
militar e, na madrugada de 25 de Abril, a operação "Fim-regime" tomou
conta dos pontos mais importantes da cidade de Lisboa, em especial do
aeroporto, da rádio e da tv.
Às
5 para as 11 da noite, passa na rádio a canção "E Depois do Adeus",
de Paulo de Carvalho, a primeira senha para o início das operações do MFA.
À meia-noite
e vinte é passada na rádio a segunda senha "Grândola Vila Morena", de
Zeca Afonso.
Uma
coluna militar de tanques, comandada pelo Capitão Salgueiro Maia sai da Escola
Prática de Cavalaria, em Santarém em direção à capital, onde toma posição junto
aos ministérios e depois cerca o Quartel do Carmo onde se tinha refugiado o
chefe do Governo, Marcelo Caetano.
Rapidamente, o golpe de estado militar foi
bem recebido pela população portuguesa, que veio para as ruas sem medo.
Ao
fim da tarde, Marcelo Caetano rendeu-se e entregou o poder ao General Spínola.
Depois de afastados todos os responsáveis
pela ditadura em Portugal, o MFA libertou os presos políticos e acabou com a
censura sobre a Imprensa. E assim começou um novo período da nossa História.
Como se vivia
antes do 25 de abril (curiosidades):
· Só havia um partido
político que apoiava o Governo e apesar de haver eleições estas não eram
livres, já que só se podia votar no partido do Governo;
· As mulheres só
podiam votar se tivessem concluído o ensino secundário (o que não era muito
comum); · A escola só era obrigatória até à 4ª classe. Era complicado continuar a estudar depois disso;
· Havia escolas de rapazes e de raparigas, não havia turmas mistas;
· Não se podia dizer mal do Governo, quem o fizesse era preso;
· Existia uma polícia política (PIDE) com uma rede de informadores por todo o país, que escutavam quase todas as conversas e as denunciavam, caso fossem contra a lei;
· Todos os homens eram obrigados a ir à tropa (na altura estava a acontecer a Guerra Colonial);
· A censura, conhecida como "lápis azul", é que escolhia o que as pessoas liam, viam e ouviam nos jornais, na rádio e na televisão;
· As mulheres necessitavam de autorização escrita do marido para fazer determinadas coisas, como por exemplo, viajar sozinhas para o estrangeiro ou ter um negócio próprio;
· As pessoas que se casassem pela Igreja não se podiam divorciar;
· Cada empresa pagava o que queria aos seus trabalhadores, ao contrário dos dias de hoje em que há um salário mínimo.


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