segunda-feira, 28 de abril de 2014

O 25 de Abril de 1974 (século XX)


25 de Abril de 1974



O golpe de estado do 25 de Abril de 1974 ficou conhecido para sempre como a "Revolução dos Cravos".

Como não houve a violência habitual das revoluções, o povo ofereceu flores (cravos) aos militares que as puseram nos canos das armas. Em vez de balas, que matam, havia flores por todo o lado, significando o renascer da vida e a mudança!



Diz-se que foi uma revolução porque a política do nosso País se alterou completamente.
Enquanto os outros países da Europa avançavam e progrediam em democracia, o regime português mantinha o nosso país atrasado e fechado a novas ideias.

 Antes do 25 de Abril, todos se mostravam descontentes, mas não podiam dizê-lo abertamente e as manifestações dos estudantes deram muitas preocupações ao governo.

Os estudantes queriam que todos pudessem aceder igualmente ao ensino, que houvesse liberdade de expressão e que terminasse a Guerra Colonial, que consideravam inútil.

O povo português fez este golpe de estado porque não estava contente com o governo de Marcelo Caetano, que seguiu a política de Salazar (o Estado Novo), que era uma ditadura. Esta forma de governo sem liberdade durou cerca de 48 anos!

 
A solução acabou por vir do lado de quem fazia a guerra: os militares. Cansados desse conflito e da falta de liberdade criaram o Movimento das Forças Armadas (MFA), conhecido como o "Movimento dos Capitães".
Depois de um golpe falhado a 16 de Março de 1974, o MFA decidiu avançar.

O major Otelo Saraiva de Carvalho fez o plano militar e, na madrugada de 25 de Abril, a operação "Fim-regime" tomou conta dos pontos mais importantes da cidade de Lisboa, em especial do aeroporto, da rádio e da tv.

Às 5 para as 11 da noite, passa na rádio a canção "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, a primeira senha para o início das operações do MFA.

À meia-noite e vinte é passada na rádio a segunda senha "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso.

Uma coluna militar de tanques, comandada pelo Capitão Salgueiro Maia sai da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém em direção à capital, onde toma posição junto aos ministérios e depois cerca o Quartel do Carmo onde se tinha refugiado o chefe do Governo, Marcelo Caetano.

Rapidamente, o golpe de estado militar foi bem recebido pela população portuguesa, que veio para as ruas sem medo.

Ao fim da tarde, Marcelo Caetano rendeu-se e entregou o poder ao General Spínola.

Depois de afastados todos os responsáveis pela ditadura em Portugal, o MFA libertou os presos políticos e acabou com a censura sobre a Imprensa. E assim começou um novo período da nossa História.

 

Como se vivia antes do 25 de abril (curiosidades):

·       Só havia um partido político que apoiava o Governo e apesar de haver eleições estas não eram livres, já que só se podia votar no partido do Governo;
·       As mulheres só podiam votar se tivessem concluído o ensino secundário (o que não era muito comum);
·       A escola só era obrigatória até à 4ª classe. Era complicado continuar a estudar depois disso;
·       Havia escolas de rapazes e de raparigas, não havia turmas mistas;
·       Não se podia dizer mal do Governo, quem o fizesse era preso;
·       Existia uma polícia política (PIDE) com uma rede de informadores por todo o país, que escutavam quase todas as conversas e as denunciavam, caso fossem contra a lei;
·       Todos os homens eram obrigados a ir à tropa (na altura estava a acontecer a Guerra Colonial);
·       A censura, conhecida como "lápis azul", é que escolhia o que as pessoas liam, viam e ouviam nos jornais, na rádio e na televisão;
·       As mulheres necessitavam de autorização escrita do marido para fazer determinadas coisas, como por exemplo, viajar sozinhas para o estrangeiro ou ter um negócio próprio;
·       As pessoas que se casassem pela Igreja não se podiam divorciar;
·       Cada empresa pagava o que queria aos seus trabalhadores, ao contrário dos dias de hoje em que há um salário mínimo.

 

 

  
 
 
 

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